C‎arnaval: dos blocos às escolas de samba, ‎inicia

来源:kmgdwlc.com   作者:   发表时间:2020-02-20 08:43:05

A ativista e modelo gaúcha Luana Carvalho, de 20 anos, foi a um bloco de carnaval pela primeira vez em 2017, em Porto Alegre. Ao chegar lá, ouviu pessoas comentarem que ela era 「muito gorda para dançar」. Depois da experiência, parou de frequentar os blocos de rua, por ter medo de escutar esse tipo de comentário de novo. 「Minha família gosta bastante de carnaval e me convidava, mas eu sempre negava, fiquei traumatizada」, ela lembra.

Situações como a vivida por Luana não são incomuns durante a folia. Ao conversar com sua amiga carioca Gabriella Morais, atriz e pesquisadora de 22 anos, as duas notaram que tinham muitas histórias parecidas em relação à discriminação sofrida na festa. A partir disso, decidiram criar, este ano, a campanha Carnaval Sem Gordofobia. Com uma hashtag própria e divulgação por meio de um perfil no Instagram, o projeto tem dois objetivos: conscientizar sobre esse problema e reunir pessoas gordas para ocupar blocos no Rio de Janeiro, oferecendo um ambiente menos hostil.

Luana conta que muita gente acha que pode fazer o que quiser no carnaval, incluindo assediar pessoas gordas:

A modelo afirma que o debate sobre a liberdade do corpo feminino durante a folia ainda é muito raso e precisa ser racializado, além de deixar de ser gordofóbico.

Agora, as amigas buscam maior aceitação da campanha pelos blocos de rua, apoio do movimento anigordofóbico e, quem sabe, conseguir apoio governamental no futuro. Elas também pensam em criar um bloco próprio daqui a alguns anos.

Gabriella acredita que passos como a campanha são importantes, mas que esse é um processo a longo prazo, de educação da população.

— Acredito muito em iniciativas que saem da internet e alcançam um público que não pode andar de Uber para cima e para baixo, por exemplo, e por isso vive agarrado nas roletas dos transportes públicos e sendo humilhado por isso. Pessoas que, muitas vezes, não sabem o que é gordofobia e como ela trava a acessibilidade em diversos campos da vida cotidiana. É preciso tirar esse estigma de que isso só tem a ver com amor próprio e roupas curtas. Gordofobia é sobre acessibilidade, raça e classe — defende.

Nas escolas de samba, a imposição de padrões estéticos não é diferente, principalmente em relação ao corpo feminino. Com o objetivo de levar mulheres fora do padrão para o samba, a modelo Nilma Duarte, de 47 anos, criou o Plus no Samba RJ.

Sua ideia inicial era incentivar a adesão de mulheres a partir do manequim 44, que ela chama de 「mulheres grandonas」, ao samba. Mas o projeto acabou indo além disso, e hoje oferece oficinas durante todo o ano.

— Quando comecei, achei que a proposta era só colocar mulheres para sambar. Mas percebi que meu trabalho vai além disso e trabalha o interior delas. As meninas chegam feridas, e a ideia é que a gente abrace e ensine essas mulheres a se olharem no espelho e se amarem. Porque o preconceito só toma força quando é alimentado. As pessoas me perguntam se nunca passei por um tipo de preconceito e eu digo: se passei não me lembro! — ela conta, rindo. — Claro que tem situações em que escutamos gracinhas ou comentários desagradáveis, mas a questão é como você absorve isso.

Nilma reforça que não faz apologia à obesidade, o que às vezes gera confusão em relação ao seu trabalho. Mas defende que cada um pode ser feliz na condição em que se encontra e que as "grandonas" podem sim sambar. Além disso, afirma cobrar que elas tenham uma alimentação saudável e pratiquem exercícios.

— Antes, os cartões postais das escolas mostravam muito essa beleza escultural, mas isso tem mudado. Nada contra quem tem barriga chapada, silicone e usa manequim 38. Eu adoro, são minhas amigas e eu sambo com elas. Mas é legal ver que também tem uma pessoa grandona sendo vista como alguém que tem a sua beleza — ela explica.

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